Após meses de forte investimento na colocação da Inteligência Artificial (IA) em quase todos os cantos do seu sistema operativo, a Microsoft decidiu carregar no travão. Num surpreendente reconhecimento das queixas dos utilizadores, a gigante tecnológica confirmou em março de 2026 uma mudança de estratégia: vai cortar integrações desnecessárias do Copilot e focar-se em corrigir problemas básicos de desempenho do Windows 11.
Esta inversão de rumo faz parte de uma nova iniciativa designada internamente como “Our commitment to Windows quality” (O nosso compromisso com a qualidade do Windows), que tenta devolver a confiança aos utilizadores e travar o que muitos consideravam ser um excesso de “lixo digital” (bloatware) ligado à IA.
Menos botões, mais utilidade
A mudança de filosofia foi oficializada por Pavan Davuluri, responsável máximo pelo Windows e Dispositivos. Num comunicado, Davuluri explicou que a Microsoft vai passar a ser muito mais intencional sobre “como e onde o Copilot se integra no Windows”, sublinhando que a prioridade passa a ser a implementação de ferramentas que sejam “genuinamente úteis”.
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Na prática, isto significa o desmantelamento de vários atalhos para a IA. Os planos originais (anunciados em 2024) que previam injetar o Copilot dentro das Definições, Notificações e do Explorador de Ficheiros foram oficialmente engavetados. Além disso, a presença excessiva do assistente dentro de aplicações clássicas como o Bloco de Notas (Notepad), o Paint e as Ferramentas de Recorte também foi alvo de cortes ou revisões de design.
A resistência do público à IA excessiva
Este modelo “menos é mais” reflete uma clara resistência dos consumidores. Segundo estudos recentes da Pew Research, o número de adultos nos Estados Unidos que afirmam estar “mais preocupados do que entusiasmados” com a Inteligência Artificial saltou de 37% em 2021 para cerca de metade da população em 2025/2026.
As preocupações com privacidade ditaram, aliás, o maior escândalo recente da Microsoft: a funcionalidade “Recall” (que tira capturas de ecrã a tudo o que o utilizador faz no PC) foi adiada quase um ano para correção de graves falhas de segurança e, mesmo após o seu lançamento, continuou a gerar críticas na comunidade de segurança cibernética.
Foco no desempenho e na barra de tarefas
Ao aliviar o sistema da carga imposta pelos serviços forçados de IA, a Microsoft promete usar 2026 para melhorar os pilares fundamentais do Windows 11.
A equipa liderada por Davuluri anunciou que passou os últimos meses a ouvir a comunidade e revelou uma nova lista de prioridades técnicas para os próximos tempos:
- Regresso de funções pedidas: A muito aguardada capacidade de mover a barra de tarefas para o topo ou laterais do ecrã (uma função básica do Windows 10 que tinha sido removida) vai regressar.
- Velocidade do Explorador de Ficheiros: Redução do tempo de abertura e maior fiabilidade na navegação de ficheiros.
- Menos consumo de memória: Melhoria na eficiência do sistema operativo, libertando memória RAM para as aplicações do utilizador.
- Controlo de atualizações: Maior poder de escolha para os utilizadores adiarem ou controlarem o ritmo das atualizações automáticas de sistema.
- Melhorias em drivers e Bluetooth: Foco na redução de ecrãs azuis de erro causados por USBs e melhor estabilidade nas ligações de acessórios sem fios.
Uma nova era para o Windows 11?
Esta alteração profunda de rumo é uma vitória para os puristas do Windows. Ao aceitar que nem tudo precisa de ter um logótipo da Inteligência Artificial associado, a Microsoft tenta provar que consegue equilibrar as exigências da revolução tecnológica atual com o funcionamento fluido e fiável que se exige de um computador de trabalho no dia a dia. Resta agora aguardar para ver o impacto que estas correções terão nas próximas grandes atualizações previstas para a segunda metade de 2026.
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