A Meta anunciou nesta semana ter avançado com várias ações legais contra anunciantes que, segundo a empresa, promoveram esquemas fraudulentos nas suas plataformas: processos dirigidos a operadores no Brasil e na China por anúncios com imagens de celebridades e um processo separado a um anunciante do Vietname por usar cloaking e provocar fraudes de subscrição. A empresa diz ainda ter enviado cartas de cessar atividade a oito consultores de marketing que alegavam conseguir contornar os seus sistemas de fiscalização.
Em relação aos casos no Brasil, a Meta identifica duas frentes: Vitor Lourenço de Souza e Milena Luciani Sanchez, acusados de utilizar imagens e vozes alteradas de figuras públicas para vender produtos de saúde falsos; e um conjunto de entidades e pessoas ligadas à B&B Suplementos e Cosméticos Ltda. (Brites Corp), Brites Academia de Treinamento Ltda., Daniel de Brites Macieira Cordeiro e José Victor de Brites Chaves de Araújo, que terão recorrido a deepfakes de um médico para promover produtos sem aprovação e a vender formações sobre estas práticas.
Também foi citada na acção a Shenzhen Yunzheng Technology Co., Ltd, da China, a que a Meta atribui o uso de anúncios com celebridades para atrair vítimas, incluindo pessoas nos Estados Unidos e no Japão, para supostas “grupos de investimento”. Para proteger figuras públicas, a plataforma afirma ter um programa que já cobre mais de 500.000 celebridades e personalidades cujas imagens são repetidamente exploradas em golpes deste tipo.
🗞️ Artigos Relacionados:
No caso do Vietname, a empresa processou Lý Văn Lâm por alegado uso de cloaking — técnica que apresenta conteúdo diferente às ferramentas de revisão do anunciado e ao utilizador — e por campanhas que prometiam artigos de marcas conhecidas a preços muito baixos em troca de preenchimento de inquéritos. As vítimas eram depois redirecionadas para sites que pediam dados de cartão e acabavam por sofrer cobranças recorrentes não autorizadas, prática descrita pela Meta como fraude de subscrição. A investigação incluiu colaboração com a marca Longchamp, que cooperou com a plataforma.
Para além das acções judiciais, a Meta relata medidas técnicas já aplicadas contra estes esquemas: suspensão de métodos de pagamento, desativação de contas relacionadas, bloqueio de domínios e partilha de informação com parceiros do setor para impedir a propagação dos golpes. A empresa afirma estar a reforçar ferramentas, incluindo modelos de IA, para detetar cloaking e rejeitar mais rapidamente anúncios maliciosos.
Em paralelo, a Meta diz ter colaborado com autoridades no Reino Unido e na Nigéria num desmantelamento de um centro de golpe, que terá resultado em sete detenções. A empresa anuncia que revisa o ecossistema de parceiros comerciais e que poderá avançar com ações legais adicionais caso os destinatários das cartas de cessar atividade não cumpram.
🤔 Faltou alguma coisa?
Ajude-nos a melhorar este conteúdo com a sua sugestão.