Numa tomada de posição que contraria a maioria dos líderes de Silicon Valley, o CEO do Pinterest, Bill Ready, defendeu abertamente que os governos de todo o mundo devem proibir o acesso a redes sociais a jovens com menos de 16 anos.
Num artigo de opinião publicado na revista Time e partilhado no seu perfil de LinkedIn em março de 2026, Ready elogiou a recente decisão do governo australiano de banir as plataformas para esta faixa etária e apelou a que outros países sigam o mesmo caminho.
A declaração surge numa altura em que gigantes tecnológicas como a Google e a Meta enfrentam processos em tribunal (nomeadamente em Los Angeles) por alegadamente contribuírem para a crise de saúde mental entre os adolescentes.
O “fracasso” da indústria tecnológica
Para o CEO do Pinterest, a indústria teve anos para mitigar os danos causados pelas plataformas digitais aos jovens, mas falhou repetidamente.
“O tempo da autorregulação já passou e, se as empresas tecnológicas não mudarem, o caminho deve ser óbvio para os legisladores”, escreveu Ready. O executivo alertou ainda para os perigos do contacto com estranhos, do aumento da ansiedade, da depressão e da perda de foco nas escolas provocados pelo modelo de negócio atual da maioria das redes sociais.
Segundo Bill Ready, a solução passa por exigir verificações de idade a nível do sistema operativo dos telemóveis (como iOS ou Android) e responsabilizar diretamente as lojas de aplicações e as fabricantes no momento do download, uma medida apoiada no projeto de lei norte-americano App Store Accountability Act.
A estratégia do Pinterest com a Geração Z
Pode parecer contraditório que o líder de uma plataforma com milhões de utilizadores defenda esta proibição, mas Ready esclarece que o Pinterest já atua de forma diferente.
Ao contrário de redes focadas na validação pública, o Pinterest permite que jovens a partir dos 13 anos criem contas, mas removeu totalmente as funcionalidades sociais para os utilizadores com menos de 16 anos. Isto significa que estes perfis são estritamente privados: não podem ser descobertos por estranhos, não enviam nem recebem mensagens diretas, e não têm opções de “likes” ou comentários.
Quando o Pinterest implementou esta mudança de segurança, muitos alertaram que a rede iria perder a próxima geração de utilizadores. A realidade, segundo o CEO, provou o contrário: a Geração Z compõe atualmente mais de 50% da base de utilizadores do Pinterest, provando que “priorizar a segurança e o bem-estar não afasta os jovens, mas sim constrói confiança”.
O dilema das empresas de tecnologia
O posicionamento de Bill Ready expõe uma fratura dentro da indústria. Enquanto grande parte dos executivos tecnológicos classificou a proibição australiana como uma medida “prematura e performativa”, o líder do Pinterest questiona as reais motivações do setor.
“Isto leva-nos a uma questão importante: quando defendemos o status quo, estamos a proteger os adolescentes ou a proteger o modelo de negócio atual das redes sociais?”, desafiou Ready. O CEO conclui com um aviso: se a indústria falhar na proteção das crianças, perderá qualquer credibilidade para se opor a proibições governamentais rígidas no futuro.
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