Se notou uma queda súbita no alcance das suas publicações ou um novo aviso colorido nas fotos do seu feed, não é um erro técnico. Sob a pressão final do Digital Services Act (DSA) e das novas diretrizes de 2026, gigantes como a Meta e a X (antigo Twitter) ativaram um sistema de filtragem que já está a impactar milhões de contas de criadores e PMEs em Portugal.
Na prática, contas que repetidamente partilham conteúdos classificados como desinformação podem sofrer redução sistemática de alcance, rotulagem permanente e, em casos extremos, suspensão.
O fim da tolerância e o custo real do “clique fácil”
A era da partilha impulsiva terminou. Relatórios de fact‑checkers europeus indicam que, quando uma publicação recebe rótulo de desinformação, mais de 40% das tentativas de voltar a partilhar esse conteúdo são abandonadas, o que reduz efetivamente o seu alcance. Para um criador de conteúdo em Portugal, isto significa que um simples rótulo de “Informação Não Verificada” pode cortar o rendimento mensal para metade em menos de 24 horas.
Diferente dos anos anteriores, a penalização agora é cumulativa. Relatórios da Electronic Frontier Foundation (EFF) indicam que o sistema de inteligência artificial das plataformas está a ser treinado para detetar não apenas a notícia falsa em si, mas o padrão de comportamento do utilizador. Se a sua conta for sinalizada três vezes por desinformação num curto período, o bloqueio deixa de ser um rótulo e passa a ser uma suspensão permanente, sem o benefício do aviso prévio que existia até 2025.
A Inteligência Artificial como juíza: O risco para as PMEs
O grande desafio para as empresas portuguesas reside na “frieza” da Inteligência Artificial. Um caso recente exemplificou este novo cenário: uma pequena marca de cosmética natural viu o seu perfil de vendas bloqueado após o algoritmo classificar as suas descrições de benefícios como “alegações médicas não comprovadas”. Sem o contexto humano na primeira linha de moderação, o erro de um robô pode levar semanas a ser corrigido através dos saturados mecanismos de recurso.
Este novo ambiente exige uma transparência total. As plataformas são agora obrigadas, por normas internas de conduta editorial e pela legislação europeia, a fornecer o motivo exato de cada restrição. No entanto, para o utilizador que depende das redes para o seu sustento, a velocidade da justiça digital raramente acompanha a urgência das contas para pagar. A recomendação agora é o rigor absoluto: em 2026, “opinião controversa” e “facto falso” estão separados por uma linha algorítmica tão ténue que o risco de ficar fora do mercado digital nunca foi tão elevado.
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