Kaley, agora com 20 anos, descreveu perante um júri em Los Angeles que a sua utilização de YouTube e Instagram desde a infância a levou a problemas de saúde mental, incluindo automutilação e pensamentos suicidas. O testemunho — parte de uma ação judicial contra Meta e YouTube — apresenta a alegação de que as plataformas contribuíram para uma dependência que lhe prejudicou a vida e pode influenciar centenas de processos semelhantes.
Na sua declaração, Kaley relatou ter começado a usar o YouTube aos seis anos, publicado o primeiro vídeo aos oito e, pouco depois, acedido ao Instagram contornando restrições definidas pela mãe. Contou também que criou múltiplas contas, recorreu a aplicações que prometiam aumentar “likes” e usou filtros estéticos, que atribui a um contributo para a sua insatisfação corporal. A jovem disse que frequentemente passava longas horas nas plataformas, muitas vezes à noite e até nas aulas.
Meta e YouTube negam as alegações de que as suas plataformas provoquem dependência. O advogado da YouTube, Luis Li, afirmou em tribunal que os registos da conta de Kaley mostram uso diário muito reduzido, enquanto o advogado de Kaley, Mark Lanier, contrapôs que grande parte da utilização infantil poderá ter ocorrido sem sessão iniciada. As empresas também destacaram investimentos em funcionalidades de segurança e controlos parentais, embora reconheçam que muitas dessas ferramentas não existiam nos primeiros anos relatados por Kaley.
A testemunha referiu ainda que enfrentou bullying na plataforma, que as notificações e a reprodução automática a mantinham mais tempo online, e que o uso constante das redes a deixou alienada de família, amigos e passatempos. Uma antiga terapeuta, Victoria Burke, confirmou em tribunal relatos de insatisfação com a própria imagem, citando o desejo de parecer mais bonita como parte do problema.
O julgamento prossegue e poderá definir precedentes relevantes para processos que acusam plataformas digitais de causar danos a utilizadores jovens. Resta saber como o júri avaliará a prova técnica sobre padrões de utilização e até que ponto considerará o papel das famílias e de fatores pessoais nas alegações de dano.
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