Documentos internos tornados públicos em processos judiciais indicam que, em 2018, investigadores da Meta (então Facebook) propuseram uma auditoria externa para avaliar se funcionalidades como reprodução automática de vídeo e o “endless scroll” promoviam “comportamentos automáticos, frequentes e indesejados”. A proposta não chegou a ser implementada e reaparece agora num lote de provas em litígios que acusam as plataformas de criarem dependência, sobretudo entre jovens.
O medo de alterar o design do produto
Os registos, entregues na sexta‑feira ao tribunal, mostram que a equipa interna queria envolver especialistas externos — entre os nomes apontados estava Tristan Harris — para dar credibilidade ao estudo e identificar elementos do desenho do produto que pudessem ser alterados. Ao mesmo tempo, havia receios dentro da empresa de que um perito externo propusesse mudanças que as equipas de produto não estariam dispostas a aceitar.
Uso problemático entre os mais jovens
Nos documentos, os investigadores explicavam que certas funcionalidades podem “promover comportamentos frequentes, automáticos e indesejados” que levam os utilizadores a sentir perda de controlo e dependência de consultar a rede social, afetando o bem‑estar. A Meta chegou a publicar em 2019 um estudo interno com 20.000 utilizadores que concluiu que cerca de 3% dos utilizadores nos EUA apresentavam “uso problemático”, mais prevalente entre adolescentes e jovens adultos.
Esses registos surgem no contexto de duas frentes legais: centenas de distritos escolares e procuradores gerais processam a Meta, a Snap, o TikTok e o Google no Northern District da Califórnia — caso que está marcado para julgamento ainda este ano — enquanto em Los Angeles decorre um processo seminal contra a Meta e a Google/YouTube, no qual executivos da Meta testemunharam recentemente e contestaram a ideia de que as suas plataformas são deliberadamente viciantes.
O peso das provas no tribunal
A Meta nega ter desenhado deliberadamente produtos para criar dependência e afirma que realizou outras investigações que motivaram alterações, como lembretes de “take a break” em 2021, ferramentas parentais em 2022 e a criação de “Teen Accounts” em 2024 com definições de privacidade e segurança por omissão. Os documentos agora divulgados passam a integrar as provas destes processos e podem influenciar o desenrolar dos julgamentos em curso.
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