Já não precisa de descarregar um ficheiro suspeito ou cair num esquema de phishing para ter a sua privacidade sob ataque. Investigadores da Graz University of Technology descobriram uma nova técnica, batizada de FROST, que permite espiar os sites que um utilizador visita usando apenas um simples script em JavaScript e o próprio armazenamento SSD do computador. O método corre inteiramente no navegador e atinge uma precisão impressionante de até 96% em sistemas Mac.
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Como funciona o ataque FROST?
Ao contrário de ameaças tradicionais que exigem a instalação de malware ou a execução de código nativo no sistema operativo, o FROST corre inteiramente no contexto de uma página web comum.
O processo divide-se em três etapas principais:
- Criação do ficheiro: O script tira partido da API File System Access e do Origin Private File System (OPFS) para criar um sistema de ficheiros isolado no SSD da vítima. Este ficheiro é propositadamente maior do que a memória RAM disponível.
- Forçar o hardware: Ao exceder a RAM, o ataque força o sistema a ler os dados diretamente do SSD, ignorando a cache de página. O JavaScript mede então as latências de Input/Output (I/O).
- Análise por Inteligência Artificial: Estas medições temporais são enviadas para um modelo de rede neuronal convolucional (CNN), que analisa os padrões e identifica que sites específicos geraram aquela atividade no disco.
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Porque é que isto muda a ameaça à privacidade?
A grande inovação (e perigo) do FROST é a sua facilidade de execução. Para ficar potencialmente exposto, basta que o utilizador visite uma página web legítima que tenha sido injetada com o código malicioso. Não há necessidade de roubo de credenciais ou de permissões especiais de administrador.
Embora os autores do estudo apresentem o FROST apenas como uma prova de conceito — sem registos de ataques ativos em larga escala no mundo real —, a técnica abre uma nova e perigosa via de fuga de informação baseada no hardware.
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Sinais de alerta e como se proteger
Detetar este tipo de ataque de forma passiva é difícil, mas os investigadores apontam um sintoma claro:
- Sinal de alerta: Uma queda súbita e massiva de centenas de gigabytes no espaço livre do seu SSD pode indicar que um site está a criar ficheiros OPFS em grande escala.
Medidas de mitigação: Os investigadores sugerem que os criadores de navegadores alterem o comportamento das aplicações, passando a exigir uma permissão explícita do utilizador antes de permitir que qualquer site crie ficheiros via OPFS. Evitar navegadores com suporte a esta API não é viável atualmente, dada a sua adoção generalizada na web moderna.
Perguntas Frequentes
O que é o ataque FROST e como funciona?
É uma prova de conceito que usa um script JavaScript para controlar a OPFS e medir latências de I/O no SSD, gerando traços temporais que uma rede neuronal (CNN) classifica para inferir os sites visitados.
Quão preciso e generalizado é este método?
Nos testes em ambiente controlado obteve até 89% de precisão em geral e 96% em Mac, mas não há relatos públicos de exploração em larga escala.
Como posso reduzir o risco de ser identificado pelo FROST?
Os investigadores propõem exigir permissão do utilizador para criar ficheiros OPFS e monitorizar quedas súbitas de espaço livre no SSD; evitar navegadores com suporte a OPFS é difícil devido à sua adopção generalizada.
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