Amazon corta mais empregos e atinge unidade de robótica em nova vaga de demissões

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A Amazon confirmou uma nova vaga de cortes e, desta vez, atingiu a sua unidade de robótica, área responsável pelo desenvolvimento de robots e sistemas de automação usados sobretudo nos armazéns da empresa. Segundo a Reuters, pelo menos 100 postos administrativos foram afetados.

A decisão surge poucas semanas depois de a empresa ter avançado com um corte muito maior, de cerca de 16 mil empregos corporativos em janeiro, num processo em que a Amazon já tinha deixado em aberto a possibilidade de novas reduções. Com isso, a empresa aprofunda uma reestruturação que vem a ganhar força desde o fim de 2025.

O que aconteceu

A divisão atingida nesta terça-feira é a que desenha robots e outros sistemas de transporte automatizado para os centros logísticos da Amazon. Em comunicado, a empresa disse que “revê regularmente” as suas organizações para garantir que as equipas estão preparadas para inovar e servir clientes, mas não divulgou o número exato de trabalhadores dispensados. A Business Insider tinha noticiado primeiro os cortes na robótica, e a Reuters confirmou depois o impacto mínimo de 100 funcionários administrativos.

O novo corte acontece depois de a Amazon ter suspendido, em janeiro, o desenvolvimento de um braço robótico chamado Blue Jay, apresentado publicamente em outubro. O projeto usava vários braços robóticos para recolher vários itens ao mesmo tempo e tinha sido desenhado para ajudar trabalhadores em espaços menores dentro dos armazéns.

Porque importa

O impacto vai além do número de vagas eliminadas. A robótica é uma das áreas mais simbólicas da estratégia da Amazon para aumentar eficiência nos armazéns, reduzir custos e acelerar operações. Quando os cortes chegam a esta unidade, o sinal para o mercado é claro: a empresa está a rever até equipas ligadas à automação, ao mesmo tempo que continua a associar parte da sua reestruturação aos ganhos de eficiência trazidos pela inteligência artificial.

Desde outubro, a Amazon já reduziu cerca de 30 mil empregos corporativos, num movimento que atingiu quase 10% da força de trabalho de colarinho branco, embora a maior parte dos seus cerca de 1,5 milhão de trabalhadores continue concentrada em funções horárias, sobretudo nos centros de distribuição.

Além da robótica, a empresa já tinha cortado postos em áreas como devices and services, livros, podcasts, relações públicas e, em 2025, também na AWS. Isso reforça a ideia de que os ajustes deixaram de ser pontuais e passaram a fazer parte de uma remodelação mais ampla da estrutura corporativa.

O que pode acontecer a seguir

A tendência é de continuidade da pressão sobre equipas corporativas nas big techs, sobretudo em áreas onde as empresas acreditam poder automatizar tarefas, achatar estruturas de gestão e concentrar investimento em frentes consideradas mais estratégicas. No caso da Amazon, isso significa que novos ajustes não podem ser descartados, mesmo em unidades ligadas a inovação e automação.

O corte na robótica também levanta uma questão mais ampla para 2026: até que ponto a corrida por eficiência baseada em IA vai continuar a gerar ganhos operacionais sem travar projetos internos que antes eram apresentados como o futuro da própria empresa. Essa tensão entre inovação e contenção de custos deve continuar a marcar a Amazon nos próximos meses.

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