Início da produção de petróleo e gás no projeto N’dola Sul no Bloco 0 em Cabinda é oficializado em Angola

O início da produção de petróleo e gás no projeto N'dola Sul no Bloco 0 em Cabinda é mais do que uma estatística de barris por dia; é a prova da resiliência e capacidade técnica do setor energético angolano. Ao integrar mão de obra local, tecnologia de ponta e uma estratégia clara para o gás natural, Angola reafirma a sua posição como um dos líderes energéticos da África Subsaariana, garantindo recursos vitais para o desenvolvimento econômico nos próximos anos.

Nelson Alfredo
9 minutos de leitura

A indústria energética angolana consolidou nesta semana um avanço estratégico fundamental para a manutenção da sua estabilidade económica. Em um movimento que une eficiência técnica e valorização da engenharia nacional, a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e a Chevron oficializaram, na véspera de Natal, o início da produção de petróleo e gás no projeto N’dola Sul no Bloco 0 em Cabinda.

Este marco, concretizado com a extração do “primeiro óleo” no dia 24 de dezembro, não representa apenas a adição de novos barris às estatísticas de exportação. Ele simboliza a capacidade de resiliência de um setor que busca, através de infraestruturas partilhadas e tecnologia de ponta, maximizar o tempo de vida útil dos campos maduros e impulsionar a transição para o gás natural.

Otimização Estratégica e Capacidade Técnica

O projeto N’dola Sul destaca-se pela sua robustez operacional em uma das regiões petrolíferas mais históricas de Angola. Localizado a cerca de 60 quilómetros do Terminal de Malongo, o novo campo foi desenhado para ser uma peça de alta eficiência dentro do complexo ecossistema do Bloco 0.

Com o início da produção de petróleo e gás no projeto N’dola Sul no Bloco 0 em Cabinda, a concessionária introduz no sistema nacional uma capacidade instalada de aproximadamente 25.000 barris de petróleo bruto por dia. Adicionalmente, o projeto aporta 50 milhões de pés cúbicos de gás natural diariamente, um volume expressivo que reforça a nova diretriz de monetização de recursos gasosos do país.

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A engenharia por trás deste sucesso baseia-se no conceito de tie-back (conexão submarina). Em vez de construir uma infraestrutura de processamento isolada e dispendiosa, os 12 poços de produção do N’dola Sul foram conectados ao complexo já existente de Mafumeira. Esta estratégia reduz drasticamente os custos operacionais (OPEX) e o tempo de implementação, demonstrando como a indústria moderna prioriza a integração de ativos para garantir a viabilidade económica em cenários de mercado voláteis.

Soberania Industrial e Conteúdo Local

Talvez mais impactante do que os números de produção seja a origem da infraestrutura física que tornou o projeto possível. O N’dola Sul é um “case” de sucesso da política de Conteúdo Local angolana, provando que o país deixou de ser apenas um exportador de matéria-prima para se tornar um construtor de soluções de engenharia complexa.

Ao contrário de décadas passadas, onde a totalidade das plataformas era importada da Ásia ou da Europa, as estruturas vitais deste projeto foram fabricadas em solo nacional. A jaqueta da plataforma, uma estrutura colossal de mais de 1.100 toneladas responsável por fixar o equipamento ao leito marinho, foi inteiramente construída nos estaleiros de Porto Amboim, na província do Cuanza Sul.

Simultaneamente, os topsides — a parte superior da plataforma onde ocorrem as operações e o processamento primário — foram fabricados em Malembo, na própria província de Cabinda. Esta descentralização da fabricação não só reduziu custos logísticos como teve um impacto social direto: durante a fase de construção, foram gerados cerca de 800 postos de trabalho para técnicos, soldadores e engenheiros locais. Este legado de capacitação técnica permanece no país muito após o início da produção de petróleo e gás no projeto N’dola Sul no Bloco 0 em Cabinda.

O Gás Natural como Vetor de Transição

A entrada em operação do N’dola Sul ocorre num momento crucial para a estratégia energética de Angola, onde o gás natural deixou de ser um subproduto descartável para se tornar um ativo central. Enquanto o petróleo extraído segue para o Terminal de Malongo para exportação global, garantindo as receitas fiscais imediatas do Estado, o gás associado tem um destino mais nobre e estratégico.

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O volume de 50 milhões de pés cúbicos diários será canalizado para a fábrica Angola LNG, situada no Soyo. Esta integração é vital para a sustentabilidade do projeto Angola LNG, garantindo o fornecimento contínuo de matéria-prima para liquefação e exportação, bem como para potenciais usos domésticos futuros.

Ao monetizar o gás que historicamente poderia ser queimado (flare), o projeto alinha-se com as metas ambientais globais de redução de emissões e com a estratégia do executivo angolano de diversificar a matriz de exportação energética.

Uma Parceria de Gigantes no Bloco 0

A complexidade e o sucesso do projeto refletem a solidez da parceria que opera o Bloco 0, um dos ativos mais antigos e produtivos de Angola. A operação é liderada pela CABGOC (subsidiária da Chevron), que detém 39,2% de participação e traz consigo décadas de experiência geológica na bacia do Congo.

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A estrutura acionista é completada pela Sonangol E.P., que mantém a maior participação com 41%, reafirmando o controle estatal sobre os recursos estratégicos. O consórcio conta ainda com a presença de duas “supermajors” europeias: a TotalEnergies (10%) e a Azule Energy (9,8%) — esta última, uma joint venture entre a BP e a Eni que se tornou a maior produtora independente de Angola.

A cooperação entre estas entidades permitiu que o cronograma fosse cumprido, culminando na oficialização da produção nesta semana final de 2025.

Perspectivas para 2026 e Além

O arranque do N’dola Sul envia um sinal positivo aos mercados internacionais sobre a atratividade do setor petrolífero angolano. Num cenário global onde o investimento em combustíveis fósseis é cada vez mais seletivo, a capacidade de Angola de entregar projetos que combinam eficiência de custos (através de tie-backs), responsabilidade social (conteúdo local) e aproveitamento de gás posiciona o país como um fornecedor de energia confiável e pragmático.

À medida que 2026 se aproxima, a expectativa é que a estabilização da produção trazida pelo N’dola Sul permita à ANPG focar em novas campanhas de exploração e no desenvolvimento de campos marginais, utilizando o modelo de sucesso deste projeto como referência para futuros desenvolvimentos na Bacia do Congo e do Kwanza.

início da produção de petróleo e gás no projeto N’dola Sul no Bloco 0 em Cabinda é, portanto, mais do que uma notícia técnica; é a reafirmação de que a indústria petrolífera de Angola continua a evoluir, adaptando-se aos novos tempos com competência local e visão global.


Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando foi oficializado o início da produção no N’dola Sul?

 A produção do “primeiro óleo” ocorreu no dia 24 de dezembro de 2025, conforme comunicado oficial da ANPG e da operadora Chevron.

Qual é a capacidade total de produção do projeto?

 O projeto adiciona ao sistema uma capacidade de 25.000 barris de petróleo por dia e 50 milhões de pés cúbicos de gás natural diariamente.

Onde foram construídas as estruturas da plataforma? 

Houve um forte componente de conteúdo local: a jaqueta foi construída em Porto Amboim (Cuanza Sul) e os topsides foram fabricados em Malembo (Cabinda).

Qual é o destino do gás produzido no N’dola Sul?

 O gás associado é enviado para a fábrica Angola LNG no Soyo, integrando a estratégia nacional de monetização de gás e redução de queima.

Quem são os acionistas do Bloco 0? 

O bloco é operado pela Chevron (CABGOC – 39,2%) em parceria com a Sonangol E.P. (41%), TotalEnergies (10%) e Azule Energy (9,8%).

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Nelson Alfredo é Editor de Notícias de Tecnologia e Product Expert (Especialista em Produtos) da Google. Com vasta experiência em desenvolvimento web e ciência, dedica-se a traduzir problemas técnicos complexos em soluções práticas para usuários do ecossistema Google.
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